Uma outra escola pública

As ocupações são uma oportunidade para discussão de outro modelo de escola pública, como todos podem ver. E isso, para o Governo, é um atentado gravíssimo

 

Na ocupação da escola estadual Professor Bruno Pieroni, em Sertãozinho, temos vivido momentos ricos de troca e partilha, onde todos nós - professores, alunos e comunidade - podemos afirmar nossos valores de luta por uma escola pública de qualidade.

Neste fim de semana, por exemplo, tivemos teatro do oprimido com um grupo de alunos da USP, diálogos com a comunidade casa a casa, churrasco comunitário, visita de ativistas da região, debate com professores da USP, roda de música.

Além de luta pontual contra a reorganização proposta de cima para baixo pelo governo estadual, sem explicações, consultas ou diálogo, as ocupações são uma oportunidade para discussão de outro modelo de escola pública, como todos podem ver. E isso, para o Governo, é um atentado gravíssimo, uma declaração de guerra, como disse explicitamente o chefe de gabinete da Secretaria de Educação, Fernando Padula Novaes, em reunião emergencial deste domingo (29/11), como publicou a jornalista Laura Capriglione, do Jornalistas Livres.

Dias antes já sabíamos que estávamos "em guerra", quando a secretaria estadual mandou cortar o gás do Pieroni, para inviabilizar a ocupação, e pela tentativa de distorcer os fatos e colocar a população contra as ocupações. Mas a própria Justiça negou o pedido de "reintegração" da Peroni.

Aqueles que se organizam e questionam são inimigos, nas palavras do assessor do secretário. Para nós, por outro lado, é uma oportunidade de debate, emancipação, resistência e luta por outra escola pública, realmente democrática e de qualidade.

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Fábio Sardinha

É professor de História da rede estadual e conselheiro da Apeoesp.