Remanejamento de cima para baixo

Caso fosse realmente preciso a mudança por ciclo, deveria ser feita uma exaustiva campanha, uma exaustiva pesquisa e trabalho junto à comunidade

O problema do remanejamento é não ter um estudo compartilhado nem audiências públicas com a comunidade. É algo que está sendo feito de cima para baixo. A sociedade, os alunos, as famílias, não estão participando deste processo.

Muitos pais têm três filhos na mesma escola, um em cada ciclo. Com o remanejamento, cada filho provavelmente vai para escola uma diferente. Tem também a distância das escolas em relação ao endereço dos alunos. Sabemos que este tipo de mudança sem o devido planejamento ocasiona o aumento da violência nas escolas. 

A comunidade foi convocada para uma reunião no último dia 14, mas simplesmente para receber orientação do que vai acontecer. Em nenhum momento está sendo feito um debate, uma discussão. Tampouco foi colocada a possibilidade de não se mudar. É algo que já vem de cima para baixo, afetando mais de 700 escolas em todo o estado de São Paulo e, aqui em Ribeirão Preto, cinco escolas. 

Este tipo de mudança é o que o Estado não precisa. O que era necessário seria a redução do número de alunos por salas e, caso fosse realmente preciso a mudança por ciclo, deveria ser feita uma exaustiva campanha, uma exaustiva pesquisa e trabalho junto à própria comunidade, para que assim o projeto pedagógico estivesse comprometido com a mudança. E isso não está acontecendo, nem em Ribeirão, nem em lugal algum do estado.

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Fábio Sardinha

É professor de História da rede estadual e conselheiro da Apeoesp.