Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

14 de agosto de 2018

O ler, o Rio, a Biblioteca

Ricardo Cravo Albin

Rio - Toda gente sabe que os livros e o ato de ler constroem um país. Toda gente sabe que neste país se lê muito pouco. Toda gente sabe que - por isso mesmo - nosso povo não usa da veemência e/ou da indignação para cobrar das autoridades mais bibliotecas, mais livros, mais leituras.

Não se amofinem os leitores deste espaço por eu abordar hoje um assunto talvez árido para os despossuídos de livros. Os desabituados à leitura. Os que nunca adentraram bibliotecas.

Asseguro-lhes aqui que as três palavrinhas do titulo desta crônica emolduram ideias e fermentam fazeres concretos. Que se entrelançam para propor benefícios para o Rio e afagos à cidadania do carioca.


Certamente que todos sabemos o que seja uma Feira de Livro, bem como o que seja a Biblioteca Parque Estadual, aquele edifício térreo na esquina da Praça da Republica com a Presidente Vargas, que faceia o Ministério do Exercito.

Criado pelo gênio de Darcy Ribeiro, o prédio abrigou a mais moderna das bibliotecas do Rio. E estava fechado, pasmem, há tempo tão prolongado que até parecia maldição de conto de carochinha, aquele famosíssimo do príncipe transformado em sapo.

O encanto finalmente se desfez há dias, quando um pequeno grupo de empresários culturais beijou o sapo. O feitiço se desfez. O belo príncipe, posto em pé, febrilmente refez a Biblioteca.

Eu confesso que não esperava assistir a milagre de tal dimensão A Biblioteca jazia imersa na maldição do sapo, abandonada, fechada, sem serventia. De cortar o coração comprovar os principais adereços do príncipe enfeitiçado , os livros, sem quaisquer leitores. Igualmente abandonados estavam os salões principais do Palácio-Biblioteca e seus serviços essenciais como elevadores, jardins, banheiros.

A Fada que beijou o Sapo , fazendo-o acordar da maldição, reformou por sua conta e risco o palácio estadual dos livros, do saber, da leitura.

E nele instalou o Salão Carioca do Livro, equipando-o com alternâncias criativas , que iam de stands de editoras e centros culturais a palestras, shows e muito mais. Ao longo do fim de semana espichado, de quinta a domingo, o centro da cidade resplandeceu com milhares de pessoas alimentando dupla magia, a do livro, a do ler, a dos espetáculos literários. E a do sapo transformando de novo em príncipe. Ou seja, um dos lugares mais amados pelos cariocas, sua Biblioteca Parque Estadual, renascida das cinzas, tal Fênix, liberta do feitiço

O que quero dizer com o relatado acima é muito simples. Mas contundente e necessaríssimo. Fica o apelo ao governo estadual que reabra, o mais cedo possível, o sonho do Metre Darcy Ribeiro. O sonho que virou sapo, que voltou a ser príncipe, há que persistir. Lanço daqui campanha pública para que o Rio retome a nossa Biblioteca.

E peço logo adesão deste jornal. Afinal, sapos não gostam do DIA. Já os príncipes, esses reluzem com a claridade do sol. Que viva para sempre o Príncipe-Bibiloteca!

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