Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

20 de outubro de 2017

É preciso alinhar

Paulo Tedesco

Não faz muito, fiz nesse mesmo espaço, um artigo defendendo humanização e treinamento, como uma das melhores alternativas para as vendas em livrarias reagirem. Artigo que me rendeu uma entrevista na Câmara Mineira do Livro e boas conversas sobre o assunto.
Pois agora, vendo fotos da nova loja da Amazon em Nova York e a notícia da reinauguração da loja do Shopping Morumbi da FNAC (rede que diziam andava para se retirar do país), tornaram-se claros os novos conceitos que permeiam e que deverão permear a venda de livros em livrarias pelos próximos anos. E, pelas informações sobre a reinauguração da FNAC: tudo indica que vem para ficar.
Sobre a loja da Amazon, chamou a atenção a iluminação da loja, sim, essa que nos faz enxergar a mercadoria e evoluir até a compra. Os livros estão em estantes onde a luz está inserida nas prateleiras e não somente externa a elas, como sempre foi no varejo. O que proporciona uma situação ideal: a capa do livro ganha visibilidade absoluta e prioridade ao olho do cliente. E a luz externa foi colocada de forma tal que, em algumas prateleiras, há uma espécie de linha de sombra entre a prateleira de luz interna e a da loja, o que dá ainda mais destaque ao livro e ao primeiro contato do leitor com a obra.
Mas também não existiam muitas unidades de livros e a loja em Nova York não parece ser das maiores, portanto quase uma boutique de livros. E faz sentido, afinal o maior volume e a variedade se alinhavam com as dicas nas placas em cada um dos títulos com mais destaque: se você gostou desse livro, você pode vir a gostar desses também. E essa placa indicava para o lado oposto, onde mais alguns livros estavam expostos. E não esqueçamos de que o livro central estava com sua capa virada ao leitor e não somente a lombada, tal como nas vitrines, aliás, a loja era uma vitrine, toda ela.
E vamos além e talvez ao principal. Os livros oferecidos obedeciam aos números de vendas e visualizações na Amazon digital, e somente quem pode comprar com descontos consideráveis é quem já faz parte do clube de compras da empresa. E o que isso significa? Que o alinhamento o mais preciso possível entre os dados coletados e muito bem gerenciados com o fortíssimo ambiente digital da empresa, com a exposição e a apresentação do livro ao leitor, é o mote principal na organização e na estratégia fundamental de vendas da loja.
Resumindo o que talvez merecesse uma longa dissertação, mas que ficará para mais adiante, talvez quando os dados de vendas aparecerem: não existe milagre nessa retomada do ambiente físico de vendas de livros, o que existe é inteligência e compreensão do que o leitor procura. E também uma lição para todos que se dedicam ao livro por profissão. Os livros e as escolhas estão aliados, ou alinhados, mais do que nunca, à fragmentação de informações dispostas pelos próprios leitores no ambiente digital, e que tem obrigação de ser traduzido no ambiente físico. Cabe, portanto, certa dose de criatividade para o editor e ao lojista (e aqui incluo o autopublicador, pois as tags e a divulgação de seus livros fazem necessariamente parte desse novo mundo) e obviamente boa de inteligência organizacional e informacional, ao se trabalhar os títulos dispostos nas prateleiras, aliás, em qualquer prateleira para qualquer leitor.

(Publishnews - 12/06/2017)

*

Paulo Tedesco é escritor e consultor em projetos editoriais. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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