Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

18 de dezembro de 2017

Marcos Pereira: 'conscientização e promoção da leitura!'

Presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Marcos Pereira, que dirige a editora Sextante, diz que a indústria do livro se fragilizou com a crise, após a expansão dos anos anteriores, e defende que o caminho passa pela conscientização e maior promoção do ato de ler. É a primeira entrevista para um balanço da última década nas comemorações dos 10 anos do Blog do Galeno.


1- Olhando para os últimos 10 anos, qual a sua avaliação sobre a questão do livro no Brasil? O mercado editorial brasileiro avançou, estacionou ou recuou?

R) Quando olhamos os dados da indústria é importante separar o livro educacional (didáticos e universitários) dos de entretenimento, conhecimento geral e religiosos. O mercado de livros didáticos tem uma participação expressiva das vendas para o Governo, cresceu de 2006 a 2011, e de lá para cá vem caindo, voltando aos mesmos patamares do início da série histórica. O mesmo aconteceu com os livros universitários, onde não há vendas para o Governo, mas que foi beneficiado com os programas de incentivo ao ensino superior. Com a crise, o recuo nos últimos 2 anos foi maior, e o resultado de 2016 mostra um recuo de 10% em relação a 2006.

Mas é no segmento de Obras Gerais que vemos o drama por que passa a questão do livro no Brasil. Em meados dos anos 2.000 eram comercializados 96 milhões de exemplares por ano, número que chegou a 120 milhões em 2013, graças ao grande esforço de manutenção de preços dos editores. Apesar do crescimento de livros vendidos a receita dos editores foi diminuindo ao longo dos anos, compensada de alguma forma pelos programas de bibliotecas escolares do Governo. Com a interrupção dos mesmos e a crise iniciada em 2015 o mercado termina 2016 com uma receita equivalente a 55% da de 2006.


2- Quais foram, na sua opinião, os principais fatos, para o bem ou para o mal, do negócio do livro no Brasil?]

R) Para o bem eu diria que a profissionalização das empresas, processo que continua ocorrendo. Para o mal a desvalorização do livro junto à sociedade.


3- Fazendo um recorte nessa última década, como você avalia, hoje, a presença do livro brasileiro no mundo? Avançou ou já esteve melhor?

R) Vejo os esforços que a Câmara Brasileira do Livro faz, com a participação permanente em Feiras Internacionais, como Frankfurt, Buenos Aires e Guadalajara, mas minha percepção é que a presença do livro brasileiro no mundo é muito pequena. Mas tenho poucos dados para embasar minha resposta.


4- O que os editores brasileiros defendem, para os próximos anos, para as políticas públicas do livro e leitura?

R) Acredito que o papel do Governo no desenvolvimento da leitura passa por um tripé, de capacitação, infraestrutura e acervo. Precisamos de um esforço contínuo de formação de professores, bibliotecários e contadores de histórias, que promovam nas escolas públicas o gosto pela leitura. Que a prática de leitura seja difundida na sala de aula, aproximando a criança e o jovem do livro. E que os acervos possam ser decididos pelos professores e bibliotecários, respeitando as diferenças regionais brasileiras.


5- Quais são as grandes agendas que devem mobilizar os editores brasileiros agora e nos próximos anos?

R) A recuperação do valor do livro é a principal agenda dos editores a partir deste momento. Chegamos a uma situação crítica, onde toda a cadeia produtiva se encontra fragilizada, competindo pelo tempo das pessoas com novas tecnologias e formas de entretenimento/conhecimento. É preciso que os editores, livreiros, autores e todos os agentes que atuam a favor do livro no Brasil se mobilizem em campanhas de conscientização e promoção da leitura.

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