Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

22 de agosto de 2017

Vendedor de livros usados evita que volumes voltem ao lixo

G1 - 14/03/2017

O dia do vendedor de livro no Brasil é comemorado nesta terça-feira (14) e para saber um pouco mais sobre essa profissão, cada vez mais rara com a existência das grandes livrarias e da possibilidade de adquirir as obras pela internet, o G1 conversou com os responsáveis pelas bancas de livros de uma das feiras mais famosas de Bauru (SP), a Feira do Rolo, que é realizada todos os domingos na área central da cidade.

Ao chegar em uma dessas bancas, o olhar passa por clássicos de Machado de Assis, uma coletânea de poetas brasileiros até chegar a uma edição rara de ‘A Muralha’, livro da escritora Dinah Silveira de Queiroz. Em meio ao vai e vem das pessoas com suas sacolas de compras, é possível folhear tranquilamente alguns livros da literatura norueguesa ou ler algo do colombiano Gabriel Garcia Márquez. Essas obras estão à disposição de quem passa pela feira.

Os livros vendidos há mais de 20 anos por Círso de Jesus Novaes dividem o espaço com peças de diversas máquinas e outros “cacarecos” em uma lona branca estirada sobre os paralelepípedos da Rua Júlio Prestes, no centro da cidade. Ele conta que começou a participar da feira como uma forma de aproveitar os materiais de reciclagem que recolhia. “Sempre trabalhei com esse tipo de material e, no meio deles, eu achava muitos livros em bom estado ou que poderiam ser arrumados. Então eu comecei a trazer eles para feira e a colocar junto com as outras coisas que eu vendia. Pelo menos assim eles não voltariam para o lixo”, conta ele que vende a R$ 1 cada um dos exemplares.

Não muito distante da lona de Círso, é possível encontrar uma mesa com os livros vendidos por Chico Carioca. Sua relação com a Feira do Rolo começou em 1997, quando começou a negociar LP’s, produtos que atualmente ainda são vendidos por ele.

Depois que passou a frequentar a feira, Carioca, como é chamado pelos amigos, começou a se interessar por livros e, em especial por biografias. “Com o tempo meu interesse pela leitura aumentou e no ano de 2000 eu comecei a vender livros aqui”, conta ele que no momento está lendo a biografia da cantora Maysa e ficou surpreendido quando soube que ela morou por um período em Bauru, quando tinha apenas 2 anos.

Para ele, vender livros nas manhãs de domingo na Feira do Rolo é uma forma de dar acesso à literatura para a população. Os preços oferecidos por ele variam dos R$ 5 aos R$ 30. É possível encontrar em ótimo estado de conservação, por exemplo, o livro “Fim”, escrito pela atriz Fernanda Torres, por apenas R$ 8. Em duas livrarias diferentes de Bauru o preço do mesmo livro é de R$ 37,90.

“No Brasil, principalmente por causa dos impostos os livros vendidos em livrarias são muito caros. Vender esse material a preços populares em um local muito popular é uma forma de facilitar esse acesso”, comenta. De acordo com Carioca, os produtos que ele vende, em sua maioria, são doações de pessoas que estão de mudança e não podem levar os livros.

Com o passar do tempo, muitos clientes de Carioca tornaram-se seus amigos. Eles fazem até pedidos de livros que querem, e ele dá um jeito de arrumar para satisfazer a clientela. “Eu acho que 90% dos meus clientes são fixos. Eu acho que isso acontece porque no nosso país a leitura precisa ser mais incentivada para as pessoas de todos os níveis sociais. Não se pode obrigar as crianças lerem nas escolas. É preciso incentivar. A diferença entre essas duas palavras é grande”, afirma.

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