Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

24 de junho de 2017

Biblioteca comunitária de Nova Iguaçu forma pequenos grandes leitores

Ana Beatriz Rosa - HuffpostBrasil - 13/02/2017

“Quem lê, viaja.” Esse é o lema da biblioteca comunitária Paulo Freire, localizada no bairro de Rancho Fundo em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, e a frase nunca fez tanto sentido quanto para as crianças da região.

Distante do centro da cidade em que estão localizados outros aparelhos de lazer, os jovens e os adultos de Rancho Fundo fizeram da biblioteca Paulo Freire um espaço compartilhado de histórias, de aprendizados e de atividades.

O espaço faz parte da rede Baixada Literária que contempla outras 6 bibliotecas mantidas por instituições sociais e culturais no município carioca.

O movimento surgiu da necessidade de ampliar a possibilidade de se ter cada vez mais leitores nas zonas periféricas das grandes cidades e, apenas na Paulo Freire, são 345 leitores cadastrados.

Mas quem dá vida ao espaço são realmente os pequenos. Cerca de 370 crianças frequentam mensalmente o espaço compartilhado e podem usufruir dos livros, computadores e atividades organizadas no local.

Foi a história de uma pequena grande leitora que chamou a atenção da internet. Lauriane, de apenas 7 anos, foi eleita como a “leitora do mês” da biblioteca, já que finalizou 23 títulos. A sua foto com a plaquinha-prêmio toda orgulhosa viralizou.

De acordo com Jane Faro, mediadora de leitura da instituição, a ideia não era fazer “propaganda” da pequena, mas sim incentivar as outras crianças.

“A foto era para servir como um incentivo para ela e para as outras crianças. A ideia era fazer com que os outros também quisessem se tornar leitores de destaque e assim ampliar o contato deles com os livros. Nós adoramos a repercussão, mas ficamos surpresos!”

Segundo a mediadora, o principal público da Paulo Freire são os jovens de 6 a 18 anos. Por estar localizada em uma região pobre e carente de infraestrutura, a biblioteca possui um papel social importante na comunidade.

“Nós procuramos fazer atividades semanais aqui. Temos as rodas de leitura, os jogos e os laboratórios sobre o uso seguro da internet, nos quais até os pais participam. Mas o foco é sempre no manuseio dos livros. Adaptamos brincadeiras do cotidiano para o universo literário. Por exemplo, fazemos a batalha naval das obras e assim as crianças aprendem sobre os gêneros, os autores as ilustrações. Quando eles chegam aqui e não tem alguma atividade programada, eles cobram da gente. Então é realmente uma biblioteca diferente. Aqui o silêncio dá espaço para a vida dessas crianças.”

Entre os títulos favoritos, as histórias em quadrinhos, principalmente os gibis da Turma da Mônica, fazem sucesso entre a garotada. Jane confessa que é díficil escolher o preferido das crianças, mas disse que vai fazer uma pesquisa para conhecer melhor o gosto literário de cada um.

A biblioteca nasceu para atender a necessidade de alunos e professores das escolas públicas do bairro. Além de um acervo para adultos e crianças, o espaço também tem um acervo focado em pesquisas escolares.

De acordo com Jane Faro, atualmente são emprestados cerca de 450 títulos por mês, entre materiais didáticos e livros.

A disposição da comunidade em fazer as histórias acontecerem está transformando a região e a biblioteca Paulo Freire.

Mais Boas ideias

Todas as notícias sobre "Boas ideias"

Receba por e-mail


Cadastre-se!

Livrômetro

Relógio da leitura no Brasil

375.840.000

Livros lidos em 174 dias de 2017 no país