Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

27 de junho de 2017

Mais novos incentivados a ler e a escrever cada vez mais

Patricia Sousa - Correio do Minho - 12/02/2017

Fomentar o gosto pela escrita, leitura, arte e solidariedade é o principal objectivo do projecto ‘Histórias da Ajudaris 2016’, que foi ontem apresentado, pela primeira vez, em Braga. “Trata-se de um projecto solidário, criativo e repleto de afectos”, contou a responsável da Associação Ajudaris, Rosa Mendes Vilas-Boas. Crianças de todo o país escrevem histórias e ilustradores de vários pontos do mundo ilustram. O resultado é “uma obra colectiva imperdível e mágica” que conta já com a participação de sete escolas do concelho de Braga.

O auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva foi pequeno para todos aqueles que aceitaram o desafio e não perderam, ontem à tarde, a festa de lançamento da obra colectiva, onde não faltaram os alunos que contaram as histórias e ilustradores que relataram o desafio que tiveram pela frente.

‘Histórias da Ajudaris’ é o projecto mais conhecido da instituição e que pretende promover a leitura, a escrita e a cidadania, em que as crianças são as protagonistas da obra colectiva. “Acreditamos que quanto mais envolvidas estiverem, mais a auto-estima e a motivação cresce para a escrita e para a leitura. Há resistências, mas o facto de estarem envolvidos é um motivo para ler e escrever cada vez mais”, justificou Rosa Mendes Vilas-Boas, referindo que o projecto começou com 12 escolas e hoje já envolve 600 estabelecimentos de ensino de todo o país. “É um motivo de orgulho”, constatou.

As histórias são ilustradas por ilustradores conhecidos e novos talentos que se juntam à causa. “Todos os anos temos uma obra colectiva sempre com um tema novo. Ano passado o tema foi a ‘Alimentação e combate ao desperdício’ e, este ano, cujas inscrições já estão abertas, o tema é a ‘Família’”, revelou a responsável, admitindo que o tema “é sempre ligado à cidadania para haver uma reflexão e um aprofundamento da temática de forma natural e espontânea para que os mais novos aprendam os conteúdos pedagógicos e fundamentalmente que pensem na solidariedade, na partilha e no espírito colectivo, porque as his- tórias partilhadas são colectivas”.

O desafio foi efectuado às escolas de Braga, que “responderam com um grande sim”, confirmou Rosa Mendes Vilas- -Boas, mostrando-se “orgulhosa” por esta primeira apresentação na cidade dos arcebispos. “Neste momento, temos sete escolas do concelho a participar. Esta parceria começou há dois anos com uma escola e depois foi crescendo e pela primeira vez estamos em Braga”, contou, enaltecendo o envolvimento de crianças do pré-escolar até ao 2.º ciclo.

A Associação Ajudaris, esclareceu Rosa Mendes Vilas-Boas, nasceu em 2008 com um grupo de voluntários que fazia já algum trabalho no terreno com idosos e sem-abrigo, mas “esse trabalho começou por ser insuficiente para ajudar as pessoas e também não dava para trabalhar em complementariedade nem em rede”. Por isso, formou-se a associação de solidariedade social cujo objectivo “é combater a pobreza existente e as novas formas de exclusão social sempre através da educação e da formação”, confirmou.

Para além do projecto ‘Histórias da Ajudaris’ a associação tem outros projectos direccionados para vários públicos, na sua maioria crianças e famílias carenciadas. “Nunca esquecemos como nascemos, por isso, temos projecto 'Idade d’Ouro', que é direccionado para os idosos sós e sem retaguarda familiar. Temos ainda o ‘S.O.S. Fome’ que apoia crianças que são encaminhadas por escolas, quando os professores detectam situações de carência encaminham para a instituição”, adiantou aquela responsável.

Mas há mais. “Seguem-se o projecto ‘Compartilharte’ com oferta de óculos. É ainda desenvolvido o ‘Clube Arco-Íris’, que apoia ao estudo e conta ainda com o alargamento de oportunidade com visitas a espaços públicos, por exemplo, uma espécie de abrir janelas de oportunidade, porque quanto mais oportunidades tiveram mais incluídas estarão”, frisou.

Sete escolas dão vida a obra colectiva

Hoje são já sete as escolas do concelho de Braga que participam no projecto ‘Histórias da Ajudaris’. E o vice-presidente da Câmara Municipal de Braga, Firmino Marques, “tirou o chapéu” a este projecto, às escolas envolvidas, aos professores e educadores e, claro, aos protagonistas: os alunos. “O trabalho feito pela Associação Ajudaris é extraordinário e o município tem um orgulho enorme de se juntar a esta iniciativa”, assumiu o vice-presidente, valorizando os valores incutidos neste projecto.

Na sessão, que ontem lotou o auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, Firmino Marques destacou ainda o tema deste ano do ‘Histórias da Ajudaris’: a família. “O tema é o valor da sustentabilidade das sociedades modernas e quem não tem este valor conta com um grande desgaste. Consolidar os valores que geram da família é fundamental, por isso, o tema é muito feliz”.

A professora bibliotecária da EB2,3 de Nogueira, do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, Manuela Alves, começou o projecto em Braga já lá vão dois anos. “A associação convidou e claro que aceitamos de imediato. A partir daí envolvemos a comunidade educativa e a direcção deu ‘carta branca’ para contactar professores e educadores para assim motivarem os alunos”, recordou a também professora de Português.

Em 2015, a obra final contou com cinco textos daquele agrupamento. O ano passado, foram três os textos que foram incluídos na obra colectiva da autoria do jardim-de-infância, da EB1 de Fraião e da EB2,3 de Nogueira. Já as representações ontem contaram também com os alunos das turmas 5.C e F e 6.º A e C. “É muito importante estimular estas dinâmicas para os mais novos ficarem mais motivados para a leitura e para a escrita. Depois ainda tem a vertende solidária, porque cada livro vendido custa cinco euros e esse dinheiro reverte para as famílias carenciadas”, justificou.

Entre os alunos que participaram neste projecto, o Correio do Minho falou com Petra Lemos do 4.º ano da EB1 de Nogueira e Margarida Lourenço do 5.º ano da EB2,3 de Nogueira. O trabalho apresentado foi dedicado à Água. “Aprendemos muito e sobretudo a importância da água. Não podemos viver sem ela, por isso, não devemos desperdiçar”, contaram.

As representações passaram por canções, leituras e dramatizações de histórias. Francisco Matos, Letícia Matos e Beatriz Ferreira, que frequentam o 4.º ano da EB1 de Nogueiró, do Agrupamento de Escolas D. Maria II, apresentaram com outros colegas da turma a música ‘Hino da Fruta’. “Foi uma experiência muito interessante”, contaram os pequenos, admitindo que foi “um incentivo à alimentação saudável”.

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Patricia Sousa é jornalista do Correio do Minho, de Portugal

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