Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

19 de julho de 2018

Mês do livro

Andreia Aparecida Silva Donadon Leal

Abril é o mês Mundial do Livro – produção material de bens imateriais do homem, ao longo da história. Primeiro de abril é dia da mentira. É costume de pessoas extrovertidas pregarem “alguma peça” nesse dia, falando mentiras para amigos, parentes ou conhecidos. E o que os livros têm a ver com a mentira? Provavelmente nada. Leitura ficcional ou não, seu valor é indiscutível para a humanização. O acesso igualitário aos bens culturais (populares e eruditos) é DIREITO de todos, mas, infelizmente, esse direito não é conhecido, nem requerido pelo povo.

E a cultura? O que é cultura? Obviamente, o termo é amplo demais para discussões específicas neste texto. Cultura, de forma geral, é toda manifestação resultante do gênero humano. É ela que permite avançarmos em todas as áreas. Dessa forma, poderíamos concluir que a função da Cultura é a de tornar dinâmica a vida em sociedade. Sim, esse é o sentido lato da palavra cultura – tão importante e emergencial como a Alta Educação ou Excelência Educacional. O princípio básico cultural seria esse, se tivéssemos gestores culturais, especialmente nas administrações públicas, que promovessem o diálogo da cultura popular com a erudita. O livro, por exemplo, entra como protagonista e tábua de salvação ou remédio eficaz contra o empobrecimento cultural. Literatura, livro e leitura são investimentos culturais promissores de um país.

O estudioso Antonio Cândido defende o “Direito à Literatura” como direito humano, pois se algo é indispensável para nós, deve ser também indispensável para o próximo. Cândido refere-se às pessoas que afirmam que o próximo tem direito a bens básicos, como moradia, comida, instrução, saúde, etc., mas isso está longe de ser o ideal.

Todos nós somos seres culturais, independente do grau de instrução ou preferência cultural. No Brasil, o privilégio de ler clássicos seria de uma pequena “classe”, a nomeada intelectual, mas será que os setores culturais não poderiam incluir TODOS no mesmo elenco? Seria se começássemos a investir em políticas de leitura. Seria se, compreendêssemos que a Literatura é uma necessidade, pois é manifestação universal do homem em todos os tempos e humaniza, em todos os sentidos, porque faz viver.

Outra abordagem do professor Cândido, que merece destaque em relação à Literatura, é a de defender que a literatura erudita deixe de ser privilégio de pequenos grupos, mas para isso acontecer é necessário, que a organização da sociedade seja realizada de maneira a garantir uma distribuição justa dos bens. Para que esse “ideal” aconteça de fato, os produtos literários deverão circular sem barreiras; no caso do Brasil será preciso vencer o déficit da escolarização básica para criar na sociedade o hábito da leitura.

Outro ponto importante do artigo de Antônio Cândido é o de defender a fruição cultural em todos os níveis. Isso seria possível se nossa sociedade não segregasse as camadas sociais com pouca escolarização, impedindo a difusão e a circulação de produtos culturais eruditos, confinando o povo a apenas uma parte da cultura, a nomeada POPULAR.

“Cultura popular e cultura erudita nunca deveriam ser separadas, como se a sociedade fosse dividida em esferas que não se comunicassem. Uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável”. (Cândido: 1988, p.191).

Para comemorar o Dia Mundial do Livro (23 de abril) é necessário fazer conexão com o Dia da Mentira, ideia inicial desse texto. É mentira afirmar que é impossível a fruição da cultura erudita com a popular no Brasil. É mentira afirmar que pessoas menos esclarecidas são incapazes de serem atraídas por sinfonias ou leituras de clássicos.  É mentira também afirmar que a cultura tem que ter investimento mais focado em shows, carnaval ou festas populares, porque o povo (a maioria) só gosta disso. É mais cômodo trabalhar dessa forma: separando a cultura popular da erudita, por preguiça, falta de informação e de instrução.

E os livros? Os livros são componentes importantes da cultura (livros de folclore, de lendas, de sagas; epopeias, clássicos, modernos ou pós-modernos).  Os livros são e continuarão sendo fonte rentável, inesgotável e eficiente para o saber, em todos os tempos. Seu valor é indiscutível para a humanização. Lutem pelo acesso aos livros, pois eles nos leva ao conhecimento, à alteridade, ao prazer, à instrução, à sabedoria, a viver outras vidas e experiências, e a alargar nossos horizontes...

* Andreia Aparecida Silva Donadon Leal - Deia Leal
Diretora de Projetos do Jornal Aldrava Cultural
Governadora do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais-Minas Gerais
Presidente Fundadora da ALB-Mariana
Mestranda em Literatura-Cultura e Sociedade pela Universidade Federal de Viçosa
Jornal Aldrava Cultural -
www.jornalaldrava.com.br

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