Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

23 de setembro de 2018

O sentido da leitura

Elias Januário

Gazeta de Cuiabá - 26/11/2010

Estimado leitor, hoje vamos retomar um importante tema da área da educação que trata da leitura, mas na perspectiva do seu sentido, de como devemos proceder no ensino da leitura e consequentemente da escrita, que ocorrem principalmente no processo de formação de professores em nosso país. Nas reflexões por nos formuladas nas discussões desse texto, vamos tomar como referência as considerações há muito tempo problematizadas pela educadora argentina Delia Lerner, que tem se destacado no cenário mundial pela atuação intensa e abrangente em diferentes níveis de ensino. Nossa primeira questão passa pela pelo fato sintomático de que é tão difícil formar leitores e, essa situação se agrava, quando nos direcionamos para um público específico, como é o caso dos países da América Latina, em particular em regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano.

O que tem acontecido ao longo do tempo é que a tarefa de ensinar o gosto e até a leitura tem ficado a cargo exclusivamente da escola, que tem outras competências a serem ensinadas aos estudantes, tão importante quanto à leitura. Muitos estudantes vão ter acesso a textos literários quando chegam à escola. Quando esse processo deveria começar em casa e ser aprimorado na instituição escolar. Os pais devem ler histórias para os filhos, fazer comentários de noticiários de jornal e deixar à disposição das crianças livros e revistas educativas para que eles possam manusear. Com isso estarão estimulando nas crianças e adolescentes o gosto pela leitura e a possibilidade cada vez mais concreta de que essa criança venha a ser um futuro leitor.

Para Delia Lerner, quanto mais cedo se começar o aprendizado da leitura, melhor para a criança e para o seu futuro como leitor. Por isso é preciso ler para a criança, para que ela seja estimulada e prossiga no futuro com o gosto pela leitura e como resultado disso com uma escrita mais primorosa. Em meio a nossa sociedade, ainda que não perceptível, existem comunidades de leitores. E nós pertencemos a mais de uma delas, como por exemplo, de uma revista semanal, de um determinado autor, de certo jornal, entre outras. Essas  comunidades são importantes para estabelecermos relações e debatermos sobre os assuntos que estão sendo lidos, as novas tendências, onde encontrar material bom e acessível para aquisição.

Um dos grandes gargalos da leitura estabelecida no contexto escolar está no fato de que, a leitura que a escola recomenda e até exige que seja lida, acaba se transformando em algo enfadonho e que, na maioria das vezes, não conduz a formação de leitores no seu sentido amplo da palavra. Dessa forma, é preciso que a escola se abra para um movimento mais flexivo e reflexivo no sentido de possibilitar o acesso dos estudantes a materiais diversos para leitura, de forma que as pessoas sintam-se atraídas pelos temas e se deixem levar pelo prazer de ler e aprender. Reservar tempo para a leitura na matriz curricular das instituições escolares e do cotidiano das famílias é sem dúvida uma forma de contribuir para que as crianças e adolescentes avancem significativamente no processo de aprendizagem, fazendo do momento literário um meio importante de construção do conhecimento.

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